Virgem Suta - Exporto Tristeza

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“Exporto Tristeza” é um retrato irónico de uma sociedade acomodada à pobreza, à resignação e ao mal-estar. A canção critica a tendência para aceitar as dificuldades como algo inevitável e até transformá-las numa espécie de identidade nacional. Entre a fome, a miséria e a tristeza, o fado surge como forma de escapar à realidade e de transformar o sofrimento em algo consumível e exportável.

Apesar do tom mordaz e desencantado, a letra revela também uma vontade de romper com esse ciclo de conformismo. A ideia de “vender tristeza” funciona como metáfora de uma sociedade que aprendeu a sobreviver através da exploração da própria melancolia, mas que começa, simultaneamente, a procurar uma saída para esse estado permanente de desalento.

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Mudam-se os tempos
Mas o disco toca o mesmo
Não há maneira nem vontade de mudar
Não é defeito o estar sempre menos mal
Virou feitio riqueza nacional

Os pobrezinhos são em bruto energia
Coitadinhos melhor que leite do dia
Alimentado o pagode quando calha
Lá fazem vida, que Deus lhes valha

Contra a pobreza exporto a minha tristeza
Contra a miséria já nem faço cara séria
Se estou com fome canto o fado p'ra esquecer
Contra a pobreza exporto a minha tristeza
Contra a miséria já nem faço cara séria
Se estou com fome canto o fado p'ra esquecer

Estar feliz é pior que avareza
Um ultraje face a esta depressão
Temos mágoas, paranóias, pára-quedas
Mas não há bóias para a nossa salvação
Agora basta, fim à ladainha
Tudo a postos todos prontos p'ra aventura
Um pé na sorte e pontapé neste mal-estar
Vamos mandar o desconsolo pelo ar

Contra a pobreza exporto a minha tristeza
Contra a miséria já nem faço cara séria
Se estou com fome canto o fado p'ra esquecer
Contra a pobreza exporto a minha tristeza
Contra a miséria já nem faço cara séria
Se estou com fome canto o fado p'ra esquecer

Vendo tristeza a metro e chega para comer
Vendo tristeza a metro e chega para comer
Vendo tristeza a metro e chega para comer
Vendo tristeza a metro e chega para comer
Vendo tristeza a metro e chega para comer
Vendo tristeza a metro e chega para comer
Vendo tristeza a metro e chega para comer
Vendo tristeza a metro e chega para comer
Contra a pobreza, exporto a minha tristeza

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Música - Jorge Benvinda
Letra - Jorge Benvinda e Nuno Figueiredo
Voz e coros - Jorge Benvinda
Guitarras e coros - Nuno Figueiredo
Produção, mistura e masterização - Bruno Vasconcelos

Vídeo:
Realização - João Estrompa
Direção de Fotografia - Diogo Tomás
Montagem e tratamento de cor - João Estrompa

Design - Klara Tapadas

Coprodução - Virgem Suta, Coletivo Barafunda e Bairro da Música

Agradecimento especial - The Green House Alentejo

Categoria
Pop Letra V