Capicua e Sopa de Pedra - Souvenir

39 Visualizações
Published

"Souvenir" é um dos temas do álbum "Um gelado antes do fim do mundo" de Capicua (2025).
www.capicua.pt
www.instagram.com/a_capicua

Créditos da Música:
Letra: Capicua
Voz: Capicua e Sopa de Pedra (Benedita Vasquez, Inês Campos, Rita Campos Costa, Rita Sá, Sara Yasmine)
Beat: Stereossauro
Produção: Luís Montenegro
Máquina de Ritmos, Teclados e Piano: Luís Montenegro
Guitarra Portuguesa: Ricardo Gordo
Arranjo Vocal: Sopa de Pedra / Sara Yasmine
(Autoria: Letra de Capicua, Música de Stereossauro, Ricardo Gordo, Luís Montenegro, Benedita Vasquez, Inês Campos, Rita Campos Costa, Rita Sá, Sara Yasmine)

Créditos do Vídeo:
Protagonistas: Sopa de Pedra
Realização, fotografia e edição: André Tentugal
Produção: Capicua e Ana de Sousa
Assistência à produção: Maria Fonte
Styling: Tânnia Pinheiro
Maquilhagem e Cabelos: Ana Lopes
Eletricista: Daniel Amador

LETRA:

Sejam bem-vindos à cidade sem memória!
O nosso arrepiante parque de diversões, onde ninguém habita, mas é bem-vindo quem visita! Temos vinho do Morto, pastéis do Além e muito pastiche também.
Os comboios são fantasma, mas temos tuk tuks, trotinetes e todo o tipo de traquitana. Comprem já os bilhetes seus sacanas e não se esqueçam de passar na loja de souvenirs.
Thank You!


Nós somos os fantasmas da cidade sem memória
Os que já não pertencem, mas recusam-se a ir embora
Ficámos com os restos e os ratos nas vielas
Ficámos com o lixo dos hotéis de 5 estrelas
Falamos entre nós a língua estranha das gaivotas
E somos como os pombos, damos nojo aos agiotas
Vagamos pelas ruas e espreitamos às janelas
Que as casas estão compradas, não podemos reavê-las

Nossa casa é souvenir
Nossa mesa é souvenir
Nosso fado é souvenir
Não nos resta mais porvir

Nós somos os fantasmas da cidade sem memória
Os que já não pertencem, mas recusam-se a ir embora
Nossas vidas estão pintadas nas fachadas de azulejo
Nossas coisas são para os outros objetos de desejo
As vitrines são bonitas, mas não estamos no reflexo
Fomos com a tralha para o fundo do anexo
Cantamos por dinheiro um fado velho, saudosista
Que só entretém os ébrios, os beatos e os turistas

REF


Se não fosse a memória o que seria da cidade?
O acumular de sedimentos
A amálgama de sons, de corpos, de quotidianos
A sobreposição de camadas de tinta
A sucessão de desgastes e de restauros
É tudo feito da pura substância do tempo
Sem passado, nada sobra na cidade
Apesar de nos venderem que a cidade é futuro, não é
Quando a cidade perde a memória, caímos todos ao chão
É a orfandade
Passamos a vultos, sem rumo, nem propósito, almas penadas
Nas cidades sem memória, não podemos encostar os ouvidos às paredes
Porque tudo é de cartão, como num cenário
Nas cidades sem memória, é a cidade que se abandona
Está tudo ao serviço, mas ninguém cuida ou é cuidado
Ficamos todos, cada um por si, a ecoar no vácuo, propagando o inaudível
E nem as lendas rezarão por nós, porque as lendas também são memória
As cidades sem memória, não têm costuras
É tudo colado a cuspe
Até porque a memória é como um fio e sem um fio nada se cose

Somos os fantasmas da cidade sem memória.
Os que não pertencem mais aqui, mas não vão embora

REF

Vinho do Morto
Pastéis do Além
Caixão de cortiça
Não sobra ninguém

Categoria
Letra C Pop Hip Hop