O projeto Principia Parallax de Jaime Salvadinho é universal e reúne músicos de várias partes do mundo. É um encontro de culturas onde a música atua como linguagem comum, quebrando fronteiras e unindo tempos e espaços.
Com uma diversidade geográfica notável, os instrumentistas injetam uma riqueza única no álbum "Tremal Naik". O resultado é uma combinação de experiências e influências que celebra a arte na sua dimensão mais global.
Universalidade e partilha.
Os Principia Parallax estão numa encruzilhada curiosa. Entre a África de São Tomé e um Portugal intemporal, num trajeto que não é só marítimo, vários tempos se conjugam e se cruzam. Ancestrais, modernos, nostálgicos.
Cada tema de “Tremal Naik” é uma percentagem da saudade, não aquela que se usa para espantar momentaneamente turistas sorridentes, mas a disposição de um povo que guardou sonhos e heranças de tantos outros povos que por aqui deambularam, viveram ou seguiram caminho para diferentes terras.
Será indispensável criar um arquivo de género para cada um destes temas? Se o mundo atual, apesar do trabalho nefasto de algumas forças contrárias, tenta acompanhar o teste universal de partilha, fazendo justiça a um sincretismo cultural que sempre privilegiou a comunicação dos povos.
Num efeito semelhante a estas migrações ancestrais, o mentor Jaime Salvadinho reuniu, com dedicação, um conjunto de músicos convidados que deixou a sua marca especial no álbum.
Não é o Fado uma herança do norte de África, trazido pelos berberes? Ou em ‘Dying Of The Light’, os versos de Dylan Thomas, irlandês como a harpa da bandeira, poderão conjurar os mesmos desejos da nossa diáspora? E as vozes que alcançam terras nos quatro pontos cardeais, terão já passado por estas terras? Entre um trágico texto palestiniano e outro, em género de fábula, de Jaime Rocha, sobressai a resistência imortal dos poetas. Entre vozes dos vários orientes, exercícios de ‘Spoken word’ ou uma provável influência do inspirador “My Life In The Bush Of Ghosts” de David Byrne & Brian Eno em ‘Image Junkies’, a diversidade estética é um desejo visível no projeto de Jaime Salvadinho. Entre uma ‘Ave Maria’ modernizada e a sensualidade de Jacques Prévert, haverá mais diferenças do que semelhanças?
A eletrónica é apenas o meio para levar um pouco de vento e o ritmo do mar (não é a eletrónica um reprodutor de sons?) e a sonoridade das guitarras, especialmente proeminentes no álbum, aglomeram algumas bases que a colonização ocidental deixou como espólio transcultural.
Reflitamos no lirismo que reúne viagem, lembrança e esperança de 'After Geography', por exemplo. Mas sobretudo no título que pode permanecer como uma questão futura. Ou a nomeação de algo que ainda não tem forma aparente e que pode ser usado como consequência desta universalidade que desejamos.
António Jorge Quadros, Novembro de 2025.
©2025 Anti-Demos-Cracia (ADC143NOV2025)
Formato: CD Digipack + Booklet
Edição limitada de 50 exemplares
Todos os temas foram compostos em São Tomé e Príncipe por Jaime Salvadinho, excepto o nº 12 por Giulio Caccini, Itália e Vladimir Vasilov, Rússia
Design: Carlos Paes
Texto: António Jorge Quadros
Imagem de capa: Barto (Roménia)
Masterização: José Henrique Almeida e Jaime Salvadinho
lançado em 30 de novembro de 2025
https://www.facebook.com/Anti.Demos.Cracia
https://anti-demos-cracia.bandcamp.com
https://www.adc-records.com
1. enquanto os poetas dormiam (3:21)
Poema de Jaime Rocha, Portugal
José Henrique Almeida, Portugal, entoações vocais
Rajendra Shiwakoti, Nepal, percussão
Jaime Salvadinho, Portugal, guitarra, baixo, voz do poema, programação do ritmo
2. after geography (5:56)
José Henrique Almeida, Portugal, entoação vocal
Vitória Serdoura, Portugal, entoação vocal
Jaime Salvadinho, Portugal, guitarra, baixo, entoação vocal, sintetizador, programação do ritmo, recolha de sons
3. se eu tiver de morrer (5:43)
Poema de Refaat Alareer, Palestina
Inderjeet Singh, India, tabla
José Henrique Almeida, Portugal, voz de fundo
Rajendra Shiwakoti, Nepal, percussão
Sílvia Laureano, Portugal, voz do poema
Jaime Salvadinho, Portugal, guitarra, baixo, sintetizador
4. let it seed (4:25)
Jaime Salvadinho, Portugal, guitarra, sintetizador
5. corrupted blood from nostrils blowed (1:45)
Poema de Lucretius (poema romano)
Leo Linsey, Inglaterra, voz do poema
Manuel, Angola, cajón
Jaime Salvadinho, Portugal, guitarra, baixo, sintetizador, programação do ritmo
6. what is to be a machine (3:11)
Jaime Salvadinho, Portugal, programação do ritmo, sintetizador
7. everest (2:25)
Jaime Salvadinho, Portugal, guitarra, sintetizador
8. the river (5:31)
Ezra Koç, Turquia, entoações vocais
Jaime Salvadinho, Portugal, guitarra, baixo, sintetizador, programação do ritmo
9. rappeles-toi barbara (4:05)
Poema de Jacques Prévert, França
Guida Ascenção, França/Portugal, voz do poema
Fátima Teixeira, Portugal, gongo tibetano
Jaime Salvadinho, Portugal, guitarra, baixo, recolha de sons, sintetizador, programação do ritmo
10. the dying of the light (5:19)
frase do poema de Dylan Thomas, País de Gales
José Henrique Almeida, Portugal, entoações vocais
JP Rufino, Portugal, berimbau, melódica
Leo Linsey, Inglaterra, voz do poema
Jaime Salvadinho, Portugal, guitarra, baixo, sintetizador, programação do ritmo
11. you are with me (3:37)
Inderjeet Singh, India, tabla
Luís Martins, Portugal, flauta transversal
Zahira Virani, India/Canadá, voz do poema
Jaime Salvadinho, Portugal, guitarra, baixo, sintetizador
12. image junkies (5:29)
Miguel Syder, Portugal, improvisações no piano
Jaime Salvadinho, Portugal, guitarra, baixo, piano, ritmo, recolha de sons
13. ave maria (2:46)
Margaux Naizain, França, voz
Mário Ferraz, Portugal, guitarra clássica
Stephen, Alemanha, guitarra eléctrica ocasional
Jaime Salvadinho, Portugal, programação do ritmo, guitarra, baixo, sintetizador























